quarta-feira, 2 de Dezembro de 2009

Baralhada Ordem.

Baralhada Ordem.

Grave ruído.
Contínuo ruído.
Trem’a terra.
Terrível tremor.
Ou canto d’entranha.
Terra que canta
cantando mostra.

Espantado ruído.
Qual seja?
Pássaros qu’ouvem
ruído de terra,
de terra que treme,
que tremendo canta.
Ruído de espanto.
Fogem caça
e caçador.

Deslizante ruído.
Mudo quase.
Nervoso deslize.
Que deslize?
De serpente,
que ross’a terra
e a pressente.
Qu’a ouve sem ouvir.
Desliz’a serpente
e seu encantador.

Brutal ruído.
Esmagador.
De que brutal?
Que esmaga?
Esmaga terr’e gente.
Esmag’a serpente.
Sem ouvir ouviu.
E d’ouvir agiu:
maremoto.

Terra que ruge.
Pássaro qu’ouve.
Serpente que sente.
Gente que pensa.
Mar que reage.
Alguns ouvindo,
outros sentindo,
alguns reagindo.

Esse grave ruído.
Contínuo ruído
de terra que treme.

Estranh’união
à terra que treme.

Destruição ou criação?
ser ou Ser?
Gota ou mar?
Infern’ou paraíso?

Nada absurdo
no grave ruído,
na terra que treme.
Destruind’constroi.
Baralhando ordena.

Ruído de terra.
De terra que treme.
Absurdo: nada.
Quand’à terra tornar
e o grave ruído
nada absurdo
de mim e si
ruído for.

terça-feira, 1 de Dezembro de 2009

Cimeira Ibero Americana

A cimeiras Ibero-Americanas estão a esvaziar-se. Portugal devia trazer a Ibero-África para este fórum. Seria um amargo de boca para Espanha, claro. Mas seria caminhar no sentido que nos é interessante. A Cimeira Ibero-Americana podia receber esta pedrada no charco dada por nós: transformá-la em cimeira Ibero-Afro-Americana.

quinta-feira, 26 de Novembro de 2009

Brisa vent’é qund’sol serena

Brisa vent’é qund’sol serena

Quisera ficar completo,
em metade de inteiro.
Essa metade eu fosse,
em meio ser eu coubesse.

Meia mulher teria,
C’a meia amante completa.
Meio pai também:
meia labuta tem de ser.

Oh, que unidade ser meio.
Meio de meio entender.
Meio pensador, poeta até.

Mas meio é-me pouco.
Quero ser por inteiro.
Inda que do meio louco,
a louco ser me destin’eu

Inda assim que louco seja.
Marido , pai e poeta.
Mas nad’e nad’em meio,
tud’e tudo por inteiro.

Será possível ou quimera?
Tantos são os elementos:
(quimera s’assim é)
Brisa vent’é qund’sol serena:
(possível se assim seja)

sexta-feira, 20 de Novembro de 2009

Moinho e Vento

Moinho e Vento

Que dor é esta, amor.
Dor é de lembrar,
dor de esquecer
o que lembrado é.

Sei-te quem sejas, amor.
Quem sou não sei.
Só sei de mim em ti.
Só de ti em mim sei.

S' em ti busc' o que sou.
Em mim sabes qu' és.
De nós brotou mim ti.

Se mim em ti porquê?
Se fruto nosso.
Querido fruto.
Amada tu.

quarta-feira, 18 de Novembro de 2009

Remédios.

Mataram-me.
De parto brotei,
d’escola morri:
cidadão me fizeram.

Perguntaram-me?
Não. Quiseram fizeram.
E mataram-me.

Não me quis sabedor.
Sabedor me tornaram.
Só e só queria sentir.

Mas comigo não!

Quero meu parto.
Quer’a nascer voltar.
Quer’ ignorar e sentir.
Quer’ à escola fugir.

Morra bem mort’ o saber.
Saber qu’ocup’ o que sou.
Saber falso e não sentido,
não sentid’e sem sentido.

Mataram-me.
Remédios haverá?

terça-feira, 17 de Novembro de 2009

Creio em ciência teorias e lei

Creio em ciência, teoria lei:
Particular geral
diverso d’ uno.
Ensinaram-mo: “crê” e eu creio

Creio bem sabendo:
crendo-‘a mato.
Matá-la quero:
crer preciso.

Gent’à lei sumetemos,
crença velha renovamos:
Destino

Feridos de ciência que’stamos,
do destino descremos.
Mago destino: liberdade compra.
Mago destino: com inocênci’a paga.

Quem d’inocente se troca livre?
Antes sem culpa qu’arbitrar.
Roubaram-no: só culpa ficou

Eu não qu’eu creio na ciência,
porque crendo por crenç’a mato.
Porque suas leis rezando (teorias),
fado qu’é meu alcanço.

Assim sem da fé sofrer Auto,
à “santa” sem ofens’a matar.
Nessa lei que geral dizem,
inocência minha destilar.

quarta-feira, 11 de Novembro de 2009

Corrompidos Restos

Antigamente eram os construtores os que tinham fama de corromper. Corromper é sempre corromper. Mas sempre era um corromper para construir.

Agora são os sucateiros. Já nem para construir se corrompe. Corrompe-se tão só para levar os corrompidos restos.